Centro de Exposições Agropecuárias de Planaltina 2012 Planaltina, Brasil

Arquitetura Urbanismo Design

Rio de Janeiro

Brasil

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Centro de Exposições Agropecuárias de Planaltina

Planaltina, Brasil

Da inevitável reverência às transições espaciais do Plano Piloto de Brasília à reflexão histórica sobre os componentes de ordenamento territorial herdados da arquitetura rural brasileira, este projeto toma como ponto de partida a interlocução necessária entre a sutil e delicada paisagem do cerrado e seus processos de ordenamento e transformação territorial.

 

Uma condição paradoxal de limite poroso, que simultaneamente se fecha e se abre, nasce a partir de duas linhas paralelas que atravessam transversalmente o sítio do projeto definindo domínios e orientações através de um gesto simples. Tal gesto vinca o solo simbolicamente gerando marcas indeléveis que ao mesmo em que modifica, cria uma paisagem. Em direta analogia à forma como Lúcio Costa definiu os eixos estruturantes de Brasília, ou a como um fazendeiro rasga a paisagem com suas cercas, esta marca define o ponto (na verdade, linha) inaugural de todo o projeto em suas dimensões técnicas e simbólicas.

O vinco, diferente de uma linha desenhada sobre papel, mesmo que com o mais grosseiro dos lápis, modifica visivelmente a superfície em que é feito, ao mesmo tempo em que cria um elemento construído, que nasce dessa transformação do território. Do “acumular de terra ao longo do percurso dos dedos sobre o solo” cria-se uma arquitetura que é, simultaneamente, solo, paisagem e edifício.

 

Por sua espessura e profundidade, os vincos possibilitam a criação de um componente linear que dá conta da ativação de todo o sítio, oferecendo grandes superfícies voltadas (dando frente) aos seus dois setores principais, os parques de exposições e o parque vivencial. Neste momento consolida-se uma espécie de muro (ou edifício linear) cujas longas fachadas oferecem-se ao sítio como suas superfícies de ativação.

 

Estes longos edifícios, gerados a partir dos vincos conceituais no terreno, são capazes de condensar todas as atividades aliadas (técnicas e programáticas) requeridas pelo projeto. Ao condensar linearmente esses usos aliados aos programas principais previstos dentro dos grandes edifícios lineares, o mesmo passa a conectar-se perifericamente às superfícies programáticas definidas, criando espaços flexíveis generosos.

 

Gerando uma relação de frontalidade que equaliza todas as superfícies do sítio, é possível atingir um nível de ativação territorial altamente eficaz. A periferia deixa de ser limite e assume um papel de protagonista ao informar os diferentes setores do projeto de suas capacidades e possibilidades.

 

Ao assumir um caráter arquitetônico e infraestrutural, os ajustes aos edifícios lineares exigem que os mesmos pouco a pouco deixem ser um elemento opacos e impermeáveis. Na medida em que estes iniciam um diálogo com as superfícies que definem – e para onde se abrem –, transformações nos mesmos são necessárias. Rasgos e perfurações são criados ora permitindo travessias através do edifício, ora criando espaços internos a ele para as mais diferentes funções. O limite passa a ser habitado.

 

À medida em que o edifício passa a ser composto por uma matéria porosa, sua leitura modifica-se. Por natureza tectônica, as perfurações feitas ao longo do edifício linear conferem a ele uma leitura – tanto técnica-construtiva como espacial – que se assemelha a uma sucessão linear de pórticos e grandes vãos. Novamente em seu processo de concepção, o projeto deixa-se seduzir simultaneamente por referências sutis às arquiteturas rurais tradicionais do Brasil e a Brasília sem, no entanto, padecer de um historicismo ingênuo e banal.

 

Ao definir o edifício linear como um híbrido de varandas e pórticos, é possível afirmar que o projeto efetivamente estabelece uma relação mais próxima e ativa entre seus componentes edificados e o sítio.

data do projeto: 2012

data da construcao:

parceiros: ---

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fase: Concurso Nacional

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