Parque Aquático do Complexo do Alemão 2010 Rio de Janeiro, Brasil

Arquitetura Urbanismo Design

Rio de Janeiro

Brasil

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Área de Nado e Esportes Aquáticos Situação Atual Situação Atual Situação Atual Situação Atual Situação Atual
Parque Aquático do Complexo do Alemão

Rio de Janeiro, Brasil

O chamado “Piscinão do Complexo do Alemão” nasceu de forma acidental. Portanto, é natural que sua configuração territorial apresente limites extremamente rígidos, dificultando e tornando perigoso o acesso do público às suas bordas e à piscina artificial. Além disso, a piscina possui dimensões inadequadas a atividades aquáticas públicas, com uma situação onde poucas bordas protegidas permitem que os banhistas acessem a água. Através deste projeto propomos a suavização dos limites da piscina e uma subdivisão estratégica dos diferentes ambientes aquáticos existentes, definidos por diferenças de profundidade e de acesso. Utilizando elementos arquitetônicos e paisagísticos como interfaces com o território inóspito das paredes da pedreira, suas bordas poderão configurar-se plenamente como espaços de convivência e de acesso franco à água. Por se tratar de um ambiente naturalmente artificial, os potenciais de transformação e adaptação são quase infinitos. Foi criado um sistema de deques combinando madeira e pedra (original do próprio local) que permitem a plena utilização da periferia da piscina. Estes deques foram desenhados assimilando características das condições radicais da topografia local e formam ao longo da periferia da piscina diversos espaços menores de estar e banho, melhor adequados ao uso do público. Isto também permite que todo o perímetro da piscina seja interligado por um calçadão marcado por postos de apoio aos visitantes, como nas praias cariocas. Cada posto facilitaria a fácil localização em volta da piscina e permitiria que certos grupos sociais pudessem, pouco a pouco, estabelecer locais tradicionais de encontro. Com a subdivisão da piscina em diversos ambientes diferenciados, o “Piscinão do Alemão” poderá se configurar como um complexo multi-funcional voltado para atividades aquáticas. Foram criadas áreas próprias para diferentes atividades: I. Áreas específicas para o banho de visitantes de diferentes faixas etárias (desde crianças a idosos) e a pessoas com necessidades especiais (PNE). Isto garantirá acesso universal à piscina, algo único em espaços aquáticos públicos da cidade. Com acessos em rampa e núcleos de elevadores para acesso aos deques, desde idosos a usuários de cadeira de rodas poderão usar a piscina sem restrições; II. Trechos para atividades aquáticas temáticas fazendo uso de equipamentos de diversão aquática (tobogãs, tirolesas aquáticas, entre outros). Com atividades de entretenimento pagas (como em parques aquáticos), será possível que o “Piscinão do Alemão” possa ser auto-suficiente em termos financeiros. Esta estratégia permitirá a manutenção dos trechos públicos sem ônus excessivos a instituições públicas. Para estas atividades foi prevista a utilização de um trecho limitado da piscina ao lado de uma das áreas de menor inclinação das paredes de mineração. Nesta inclinação será construído um sistema de tobogãs, de esportes de aventura e áreas de apoio aos visitantes com lanchonetes e áreas para piquenique e churrasco (que poderiam ser alugadas); III. A piscina será interligada ao Complexo do Alemão por bondes suspensos, que permitirão não apenas o acesso direto e facilitado da comunidade, mas também novos pontos de vista da paisagem incrível da piscina; IV. Serão definidas áreas específicas para a realização de esportes aquáticos como natação, pólo aquático, saltos ornamentais e remo. Nestes espaços poderão ser organizadas escolinhas voltadas às comunidades próximas à piscina e assim como diversas competições. Mesmo atividades paralelas às Olimpíadas de 2016 poderiam ser realizadas no local, como treinamento de equipes. Com vistas espetaculares, o local poderia facilmente tornar-se extremamente atrativo a eventos de grande importância. V. A manutenção das condições de balneabilidade da piscina poderão ser mantidas por sistemas naturais de filtragem. Ao longo da piscina seriam localizadas bacias de tratamento por meio de biofiltração. Com a utilização de plantas aquáticas (calocásias e alocásias) e de áreas úmidas, a água poderá ser tratada. Sua passagem através da zona de raízes das plantas permitirá a absorção de grande parte dos elementos de contaminação e permitirão sua oxigenação. O lençol freático que originou a piscina cuidará de vagarosamente renovar a água após sua evaporação. Isto criará um sistema sustentável de limpeza da água sem a utilização de componentes químicos e de sistemas de bombeamento, permitindo alta economia de energia. Este sistema poderá tornar-se por si próprio uma das atrações da piscina com funções educacionais e de conscientização ambiental. Com passarelas cruzando os igarapés artificiais, os usuários poderão passear e visualizar diretamente como a piscina é mantida com sistemas renováveis. A combinação de todas estas propostas permitirá que a experiência inusitada apresentada pela pedreira seja potencializada ao extremo, capacitando o “Piscinão do Alemão” a tornar-se um verdadeiro complexo de uso público. O Parque Aquático do Complexo do Alemão é possível, oferecendo condições únicas para a criação de um espaço público democrático e de grande repercussão.

data do projeto: 2010

data da construcao: ---

parceiros: Pierre Martin (paisagismo)

consultores: ---

fase: Proposta Conceitual

cliente: ---

prêmio: ---